homem vil homem
vil
se quer saber
o que construiu
tua vida assassina
essa sina de vida
esse sino do campo
do campanário do sono
no seio do povo
sem dono dormentes
adolediscentes
dissentes em bando
abandono
abrandando
olvida da vida o contingente acidente
o ato potente de ser impotente
o não presente em todo vão
que há no sim, no vim, no vi, no venci
apesar-de-si que em todo si é apenas si
apenas ri, é dó é ré é mi é ni
ilismo do fato, do gato e sapato, do ato
mo o tomo utopia o tomismo, el mismo
que é outro, que é porco, que é fosso,
que é morto que é
contempla só os rastos
nos restos do arrasto.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Domingo, Novembro 15, 2009
Questões de tempo
a sombra refrescante de uma árvore
derrubada no quintal de minha casa
demolida no vende-se de um catálogo
o doce-de-leite na panela da minha jovem vó
esquecida das receitas dos doces-de-leite
embalados nas compras da minha velha vó
ontem perdido teu lindo rosto
achado hoje no abrir-fechar das portas
trancadas num quando sutil do amanhã
o futuro anunciado:
o que tens não te detém
morrerá e então te terá
derrubada no quintal de minha casa
demolida no vende-se de um catálogo
o doce-de-leite na panela da minha jovem vó
esquecida das receitas dos doces-de-leite
embalados nas compras da minha velha vó
ontem perdido teu lindo rosto
achado hoje no abrir-fechar das portas
trancadas num quando sutil do amanhã
o futuro anunciado:
o que tens não te detém
morrerá e então te terá
Terça-feira, Novembro 10, 2009
Poéticas - Transposição do Beco do Bandeira
não há mais nada
a se ver não há
na janela dos prédios
nem Corcovado nem mar
nem Cristo nem lago
em Curitiba não há
e daqui, nem o beco.
sequer um beco em volta
a dar de comer à revolta
da minha escrivaninha
a se ver não há
na janela dos prédios
nem Corcovado nem mar
nem Cristo nem lago
em Curitiba não há
e daqui, nem o beco.
sequer um beco em volta
a dar de comer à revolta
da minha escrivaninha
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
Lógicas do sentido - o seio
Só quem ousou tocar a lira
Rainer Maria Rilke
Do belo vem-me os manuais
Dos que vindicam seios mais.
Mas essa vista bem treinada
É o toque morto da palavra.
Sabemos ver, mas não tocar:
Quem não tocou teu tenro seio
Vem vindicar os seios mais
Que mais à vista nos avultam.
Por isso insultam nossas mãos
Os fartos seios visuais:
A imagem já é bem treinada,
Suplanta as mãos que nem palavra.
Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Redondilhas da Ação Penal
Morre a tinta das sentenças
e o sangue dos enforcados...
Cecília Meireles
Aqui vos suspende
Suspeitos que sois
Da senda dos justos
No injusto clamor
A pena sem regras
Das regras penais
A vós que há já léguas
Sustais sendas tais
Por terdes nascido
Com marcas do crime
Pois o vosso rosto
Se julga e reprime
Sexta-feira, Outubro 23, 2009
Poéticas - Interpretação do Bicho do Bandeira
O homem é
o bicho na rua:
cata o mesmo amanhã
do lixo e da pena.
O poeta é
o homem na janela:
o bicho é o lixo
em que cata seu poema.
o bicho na rua:
cata o mesmo amanhã
do lixo e da pena.
O poeta é
o homem na janela:
o bicho é o lixo
em que cata seu poema.
Terça-feira, Outubro 20, 2009
Poéticas
Ao Rufatto
Eu careço Deus di lê
O francês du Mallarmé
Por amor di afrancesá
Pra qui eu tenha di-cumê
Qui poeta nessa terra
Tem-di mais sê um Zè-Rimbaud
Sê um gênio i gênio é poco
Pra qui leia os dotô
Ou virá mei abestado
Qui-nem-qui um Cê-Éfi-Abreu
Pros jóvi arbuguesado
Bebê café i pitá breu
Florais
Que estramônio amarílis,
Um hibisco cá jacinto:
Tulipas as hortências
E miosótis de lírios!
Rosa,
Belladona de estrelícias,
Ciclame tua boca-de-leão
Eu gladíolo todo íris aos teus copos-de-leite
E me flox feito cravo na tua dália
De fuc-fúcsias sempre-vivas!
Tu és minha rainha-da-noite,
A mais gloriosa-dos-jardins,
E eu rododendro em teus junquilhos...
Ah, que amor-perfeito!
Jasmim a ti, a ti jasmim,
E mandevilla à pupunha!
Um hibisco cá jacinto:
Tulipas as hortências
E miosótis de lírios!
Rosa,
Belladona de estrelícias,
Ciclame tua boca-de-leão
Eu gladíolo todo íris aos teus copos-de-leite
E me flox feito cravo na tua dália
De fuc-fúcsias sempre-vivas!
Tu és minha rainha-da-noite,
A mais gloriosa-dos-jardins,
E eu rododendro em teus junquilhos...
Ah, que amor-perfeito!
Jasmim a ti, a ti jasmim,
E mandevilla à pupunha!
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