não há mais nada
a se ver não há
na janela dos prédios
nem Corcovado nem mar
nem Cristo nem lago
em Curitiba não há
e daqui, nem o beco.
sequer um beco em volta
a dar de comer à revolta
da minha escrivaninha
Terça-feira, Novembro 10, 2009
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
Lógicas do sentido - o seio
Só quem ousou tocar a lira
Rainer Maria Rilke
Do belo vem-me os manuais
Dos que vindicam seios mais.
Mas essa vista bem treinada
É o toque morto da palavra.
Sabemos ver, mas não tocar:
Quem não tocou teu tenro seio
Vem vindicar os seios mais
Que mais à vista nos avultam.
Por isso insultam nossas mãos
Os fartos seios visuais:
A imagem já é bem treinada,
Suplanta as mãos que nem palavra.
Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Redondilhas da Ação Penal
Morre a tinta das sentenças
e o sangue dos enforcados...
Cecília Meireles
Aqui vos suspende
Suspeitos que sois
Da senda dos justos
No injusto clamor
A pena sem regras
Das regras penais
A vós que há já léguas
Sustais sendas tais
Por terdes nascido
Com marcas do crime
Pois o vosso rosto
Se julga e reprime
Sexta-feira, Outubro 23, 2009
Poéticas - Interpretação do Bicho do Bandeira
O homem é
o bicho na rua:
cata o mesmo amanhã
do lixo e da pena.
O poeta é
o homem na janela:
o bicho é o lixo
em que cata seu poema.
o bicho na rua:
cata o mesmo amanhã
do lixo e da pena.
O poeta é
o homem na janela:
o bicho é o lixo
em que cata seu poema.
Terça-feira, Outubro 20, 2009
Poéticas
Ao Rufatto
Eu careço Deus di lê
O francês du Mallarmé
Por amor di afrancesá
Pra qui eu tenha di-cumê
Qui poeta nessa terra
Tem-di mais sê um Zè-Rimbaud
Sê um gênio i gênio é poco
Pra qui leia os dotô
Ou virá mei abestado
Qui-nem-qui um Cê-Éfi-Abreu
Pros jóvi arbuguesado
Bebê café i pitá breu
Florais
Que estramônio amarílis,
Um hibisco cá jacinto:
Tulipas as hortências
E miosótis de lírios!
Rosa,
Belladona de estrelícias,
Ciclame tua boca-de-leão
Eu gladíolo todo íris aos teus copos-de-leite
E me flox feito cravo na tua dália
De fuc-fúcsias sempre-vivas!
Tu és minha rainha-da-noite,
A mais gloriosa-dos-jardins,
E eu rododendro em teus junquilhos...
Ah, que amor-perfeito!
Jasmim a ti, a ti jasmim,
E mandevilla à pupunha!
Um hibisco cá jacinto:
Tulipas as hortências
E miosótis de lírios!
Rosa,
Belladona de estrelícias,
Ciclame tua boca-de-leão
Eu gladíolo todo íris aos teus copos-de-leite
E me flox feito cravo na tua dália
De fuc-fúcsias sempre-vivas!
Tu és minha rainha-da-noite,
A mais gloriosa-dos-jardins,
E eu rododendro em teus junquilhos...
Ah, que amor-perfeito!
Jasmim a ti, a ti jasmim,
E mandevilla à pupunha!
Segunda-feira, Outubro 19, 2009
Matinais
os agora-pouco de tua pele
pronto se fizeram ontem;
sei-o pelo perfume no lençol...
Não: ele mal te evoca
pois nada te supera in loco;
Não: ele não te significa
pois somente indica tua união
à massa amorfa do passado...
- Mas... que tal?
(diz-me a Esperança Ardilosa
que Pandora doou aos meus enganos)
Que tal lançá-la à grã-fornalha
da forja encantada dos teus acasos?
pronto se fizeram ontem;
sei-o pelo perfume no lençol...
Não: ele mal te evoca
pois nada te supera in loco;
Não: ele não te significa
pois somente indica tua união
à massa amorfa do passado...
- Mas... que tal?
(diz-me a Esperança Ardilosa
que Pandora doou aos meus enganos)
Que tal lançá-la à grã-fornalha
da forja encantada dos teus acasos?
Segunda-feira, Setembro 21, 2009
Na sociedade dos poetas
um beijou o verso escrotal do outro
- com as cautelas do estilo -
e beberam vinho, chá dos malditos
- com as cautelas do estilo -
e beberam vinho, chá dos malditos
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